Category: Curiosidade

A Natividade de Willam Lilly - por Sue Ward

16-06-09 | by Helena & Luís [mail] | Categories: Artigo, Curiosidade

A Natividade de William Lilly

Esta é uma tradução de um post publicado por Sue Ward no seu blog - http://sue-ward.blogspot.com. Decidimos divulgá-lo em Português por se tratar do mapa natal de um dos mais famosos astrólogos da Tradição.

Durante muitos anos, a única cópia existente da natividade de William Lilly era a apresentada por John Gadbury na sua Collectio Geniturarum de 1662. Esta versão foi também usada no facsimile do livro Christian Astrology, publicado pela Regulus em 1985; uma vez que Gadbury odiava Lilly, parece estranho ter incuído este mapa no maior trabalho de Lilly. Sei que Olívia Barclay detestava a carta, mas ela queria que o facsimile fosse publicado e por isso não se opôs à sua inclusão. (Para que fique claro: foi ela quem deu início à recuperação da Tradição, ao permitir que se desmanchasse a sua cópia original do Christian Astrology para ser fotocopiada. Por muito que outros astrólogos de relevo tenham feito nesta área, mais tarde, ela foi a primeira, a mais activa e a mais conhecida. Sei-o porque estive lá, tendo sido uma das suas primeiras estudantes.)

Cabe ao leitor decidir se importa ou não que a maioria dos astrólogos apenas conheça a versão “venenosa”, apresentada por Gadbury, do mapa de Lilly. Contudo, como sempre nos queixamos da falta de precisão dos dados, parece um pouco estranho ignorar o mapa que o próprio Lilly usava.

Este mapa já tinha sido publicado por mim no Astrological Association’s Journal, e apresentado numa palestra há pelo menos cinco anos, por isso não se pode dizer que tenha andado escondido.

Há diferenças importantes entre esta versão “autorizada” e a que foi publicada por Gadbury e pelo seu amigo Blackwell, especialmente no que diz respeito à posição da Lua e à de algumas cúspides. Como Lilly se deu ao trabalho de calcular algumas posições planetárias ao segundo, parece-me um pouco leviano dizer que as diferenças são pequenas e por isso triviais. Para quem não usa direcções primárias como técnica preditiva, estas discrepâncias não têm grande significado, mas parece-me que seguir a Tradição e não usar as primárias é, de alguma forma, descabido.

A carta aqui apresentada vem do MS Ashm. 394 (da Boedlian Library) e é referida pelo próprio Ashmole, como sendo uma cópia do mapa de Lilly. Esta é a carta correcta, rectificada e com as direcções calculadas pelo próprio Lilly. Quem quer que deseje comentar sobre a vida de Lilly deveria ter como referência esta, e não outra cópia, a não ser por razões de comparação.


Dos manuscritos não publicados de Lilly:

A Natividade de William Lilly

Dos trabalhos publicados de Gadbury:

A Natividade de William Lilly segundo Gadbury

D. Sancho I

11-11-08 | by Helena & Luís [mail] | Categories: Curiosidade

D. Sancho I

D. Sancho I, segundo rei de Portugal, nasceu a 11 de Novembro de 1154.
Sobre a data não há dúvidas, mas sobre a hora não há certezas.
Isto porque os documentos da época referem que nasceu no dia de São Martinho, 11 de Novembro, mas não fazem qualquer menção às horas do seu nascimento.
Por ter nascido neste dia, recebeu o nome de Martinho. É verdade: ao nascer, D. Sancho chamava-se Martinho!
Como não era o primogénito não estava destinado ao trono, pelo que não lhe deram um nome de tradição real. Recebeu o nome do santo do seu dia de nascimento, como era aliás costume na época. Só mudou o nome para Sancho – um nome régio – quando a morte do seu irmão mais velho, Henrique, o herdeiro, o colocou na primeira linha de sucessão do trono.
Com os dados de que dispomos podemos ver que D. Sancho tem Marte em Escorpião, sendo este o planeta mais forte de toda a configuração. Foi com efeito um rei guerreiro, com fortes qualidades de luta e de chefia, como aliás convinha a um rei medieval. Durante todo o seu reinado disputou com os Muçulmanos o território que é hoje Portugal.
As suas qualidades guerreiras também se fizeram sentir na sua relação com o Clero, a quem retirou poderes e privilégios, tendo em vista o fortalecimento da sua posição enquanto rei.
Quanto às suas relações pessoais, podemos dizer que o cognome de “povoador” é bastante apropriado, não apenas devido aos seus esforços para fixar as populações nas terras conquistadas, mas também por ter tido um grande número de filhos, tanto legítimos como ilegítimos. Aliás, a variedade e diversidade da sua vida amorosa dá bastante que pensar, pois tem uma quadratura Vénus-Saturno, um aspecto que indicia algumas dificuldades nesta área…

D. Sancho nasceu há 854 anos. Subiu ao trono aos 31, reinou por 26 anos e morreu a idade de 57 anos – uma idade relativamente avançada, segundo os padrões medievais.
Aqui fica uma breve homenagem a este rei, no aniversário do seu nascimento.

Um estudo mais alargado sobre os mapas dos reis de Portugal pode ser encontrado no nosso livro Astrologia Real, da editora Pergaminho.

Dia dos três reis

29-10-08 | by Helena Avelar [mail] | Categories: Curiosidade

Reis Escorpião

A próxima sexta-feira, dia 31 de Outubro, será o dia dos três reis… Não, não se trata do tradicional Dia de Reis, que esse é só a 6 de Janeiro, mas do aniversário do nascimento de três reis de Portugal.
De facto, três dos reis de Portugal nasceram no dia 31 de Outubro. São eles D. Fernando, último rei da primeira dinastia, nascido em 1345, D. Duarte, segundo rei da segunda dinastia, nascido em 1391 e D. Luís, décimo segundo rei da quarta dinastia, nascido em 1838.
Mas apesar da sincronia da data de nascimento, existem diferenças significativas nos respectivos mapas natais. Este é aliás um excelente exemplo de como pessoas “do mesmo signo” – isto é, com o mesmo signo solar – podem ter personalidades, gostos e comportamentos muito diferentes, devido à interacção dos outros factores que compõem o horóscopo. Na verdade, o Sol constitui apenas uma pequena parcela na interpretação astrológica, e por sinal nem sequer muito representativa. As eventuais semelhanças indicadas pelo signo solar passam portanto quase despercebidas, face às diferenças e particularidades indicadas pelos outros factores.

D. Fernando nasceu “na hora de prima”, isto é, à alvorada; o seu signo ascendente é portanto Escorpião, o mesmo que o signo solar.
Marte, regente do Ascendente e dispositor do Sol, está muito fraco em Caranguejo, situação particularmente desfavorável para um rei, pois enfraquece-lhe o poder. Esta situação é em parte compensada pelo posicionamento do regente do Meio do Céu (neste caso o Sol) no Ascendente, indicando um reforço da autoridade. Mas a compensação é apenas parcial, e não o impediu de sofrer na pele as consequências das suas (in)decisões, tanto a nível pessoal (o casamento com D. Leonor Teles) como político (a gestão desastrada das alianças com Castela no âmbito da Guerra dos Cem Anos). As suas escolhas políticas, e sobretudo a sua permanente indecisão, valeram-lhe a desconfiança dos seus pares e o desagrado do seu povo.

Muito diferente é D. Luís, também nascido a 31 de Outubro. Tem também o Sol em Escorpião, mas o Ascendente é Capricórnio, o que o torna bastante mais directo e concentrado. A tendência natural desta combinação para a reserva e a austeridade é reforçada pelo facto do regente do Ascendente, Saturno, estar em Escorpião.
O regente do Meio do Céu, Marte, está posicionado em Leão, o que lhe confere uma certa extroversão e dotes naturais de comando. Com efeito, era um militar de carreira e desde muito cedo que deu provas de bravura e capacidade de chefia. Era aliás muito mais um militar – a sua verdadeira vocação – que um governante, cargo que se viu obrigado a exercer devido à morte prematura de seu irmão mais velho, o rei D. Pedro V.

Quanto a D. Duarte, não lhe conhecemos a hora de nascimento, pelo que não podemos calcular o seu signo Ascendente. Contudo, o estudo das posições planetárias (mesmo sem as Casas astrológicas), permite-nos obter noção geral da sua personalidade.
A primeira impressão é de reserva e introspecção, devido à predominância de Saturno: está exaltado em Balança, disposita as duas benéficas (e possivelmente também a Lua) e ainda faz uma quadratura exacta a Vénus; no conjunto, esta configuração sugere dificuldades de expressão de sentimentos, introspecção e um certo pessimismo.
Seria de esperar que a conjunção Marte-Sol viesse “aquecer” esta combinação saturnina, pois indica muita energia, intensidade, irritação e até violência. Contudo, como a conjunção ocorre em Escorpião (signo feminino e nocturno), os seus efeitos mantém-se mais reservados, virando-se sobretudo para o interior.
D. Duarte era portanto um rei introspectivo, melancólico, virado para o estudo e para os pensamentos profundos – um homem mais de livros que de espada.

Por esta breve análise verificamos que as pessoas “do mesmo signo” – ou seja, que partilham o mesmo signo solar – apresentam diferenças significativas nas suas personalidades. O signo do Sol representa uma pequena parte da dinâmica pessoal e nem sequer a mais importante. Bem mais determinantes são o Ascendente e o seu planeta regente, além de outros factores como o temperamento, os significadores de comportamento e mentalidade, etc.

Um estudo mais alargado sobre os mapas dos reis de Portugal pode ser encontrado no nosso livro Astrologia Real, da editora Pergaminho.

Sol conjunto a Sírius - a Canícula

04-07-08 | by Helena & Luís [mail] | Categories: Actualidades, Curiosidade

Canicula

Hoje o Sol está conjunto a Sírius, a mais brilhante estrela dos céus.

A relação do Sol com esta estrela era de grande importância na Antiguidade, pois representava um momento crucial no ciclo do ano.

No Egipto antigo, o erguer heliacal de Sirius marcava a época das cheias do Nilo, um momento crucial no calendário sótico (calendário egípcio).
Na Grécia antiga assinalava o início dos dias da canícula, literalmente os “dias de cão”, ou seja, os dias mais quentes do ano, que se julgava fazerem enlouquecer os cães.
Em Portugal este termo é aplicado ao dias de grande calor, característicos desta época do ano.

Primum Mobile

Primum Mobile é o impulso que faz girar a abóbada celeste no seu movimento diário, de Este a Oeste.
É o movimento primordial, que determina o dia e a noite – o nascimento e ocaso dos luminares, das estrelas e dos planetas.
É a primeira e mais evidente experiência da Astrologia.

Acompanhe connosco
o movimento dos céus!

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